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domingo, 5 de dezembro, 2021
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Jogadora de vôlei decapitada pelo Talibã: veja outros casos de perseguição a mulheres esportistas no Afeganistão

Brutalidade com jovem jogadora Mahjabin Hakimi chocou o mundo. Jogadoras de futebol já deixaram o país, e os extremistas deixaram claro que não toleram a prática de outras modalidades por mulheres, como o críquete. No círculo, está a imagem da jogadora de vôlei Mahjabin Hakimi, executada pelo Talibã no Afeganistão segundo o ‘Persian Independent’
Reprodução/Twitter
A notícia veiculada nesta quinta-feira (21) de que a jogadora Mahjabin Hakimi, da seleção júnior de vôlei feminino do Afeganistão, foi decapitada por extremistas do grupo Talibã é mais um sinal de que as mulheres esportistas estão em risco no regime fundamentalista islâmico.
Embora o Afeganistão tivesse um histórico de desrespeito aos direitos das mulheres mesmo nos tempos em que os extremistas não governavam o país, havia sim uma tentativa de erguer a participação feminina na sociedade, nos estudos e também no esporte.
Tanto que seleções femininas de diversas modalidades foram formadas depois de 2001, quando o Talibã deixou o poder no Afeganistão com a invasão por soldados dos Estados Unidos.
Afeganistão: entenda os riscos para as mulheres sob o regime talibã
Porém, com a tomada de Cabul pelos extremistas em agosto, depois da saída dos militares americanos, a preocupação com a segurança das esportistas afegãs voltou, e as demonstrações de violência ficaram mais evidentes.
Veja abaixo outros casos
Futebol feminino deixou o país
Shabnam Mobarez é capitã da seleção feminina de futebol do Afeganistão
Reprodução/Instagram
As atletas da seleção afegã de futebol feminino e seus familiares deixaram o Afeganistão em 24 de agosto com apoio do governo da Austrália, informou a Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (Fifpro).
As jogadoras que ainda viviam no país temiam perseguição do regime talibã. Algumas delas relataram viver escondidas com medo de represálias por conta de sua atividade profissional
“Estas jovens estiveram em uma posição de perigo e, em nome de suas colegas ao redor do mundo, agradecemos à comunidade internacional por terem ido em sua ajuda”, disse a Fifpro em um comunicado.
Atletas da seleção afegã de futebol feminino no aeroporto de Cabul antes de embarcar em um voo do governo australiano
Reprodução/Instagram/Khalida Popal
A seleção feminina de futebol do Afeganistão foi criada em 2007, em um país onde as mulheres que praticam esportes eram vistas como um ato político de enfrentamento ao Talibã.
As jogadores haviam sido aconselhadas a deletar postagens nas redes sociais e fotos da equipe para evitar represálias desde a queda do governo do Afeganistão em 15 de agosto.
Khalida Popal, ex-capitã da seleção afegã de futebol, em foto sem data
Reprodução/Instagram/Khalida Popal
Khalida Popal, ex-capitã da seleção nacional do Afeganistão, disse na ocasião que os últimos dias no país “foram extremamente estressantes, mas alcançamos uma vitória importante”.
Ela fez parte do grupo responsável por organizar a saída das jogadoras e de seus familiares e entrar em contato com governos estrangeiros – como a Austrália – para conseguir o apoio necessário.
“Elas foram corajosas e fortes em um momento de crise”, disse Popal. “O futebol feminino é uma família e devemos garantir que todas estejam seguras.”
Um grupo de atletas ainda conseguiu viajar e se estabelecer em Portugal, que concedeu refúgio às jovens atletas.
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Contra o críquete feminino
Um dos líderes culturais do Talibã, Ahmadullah Wasiq, disse em uma entrevista a uma rede de TV da Austrália, a SBS, em agosto, que o esporte feminino é algo inapropriado e desnecessário. Ele falou especificamente sobre o críquete, que é muito praticado naquela região da Ásia. “Eu não acho que não será permitido às mulheres jogar críquete, porque não é necessário que as mulheres joguem críquete”, afirmou.
“No críquete, elas podem estar em situações em que o rosto e o corpo delas não estejam cobertos, e o Islã não permite que elas sejam vistas dessa forma”, concluiu.
“Essa é a era da mídia, haverá fotos e vídeos [de mulheres praticando esportes], e as pessoas poderão assistir. O Islã e o Emirado Islâmico (a forma como o Talibã se refere ao próprio regime) não permitem que as mulheres joguem críquete ou os esportes em que elas ficam expostas”, afirmou ele, segundo o jornal “The Guardian”.
‘Não me pergunte mais sobre mulheres’, diz Talibã
Diretor de esportes do Talibã no Afeganistão, Bashir Ahmad Rustamzai, chega a um escritório em Cabul nesta terça-feira (14)
Bulent Kilic/AFP
Em Cabul, o novo diretor de esportes do Talibã no Afeganistão afirmou em setembro que os afegãos poderão praticar até “400 esportes”. Mas não quis dizer se as mulheres poderão praticar algum em público.
“Por favor, não me faça mais perguntas sobre as mulheres”, insiste Bashir Ahmad Rustamzai, enquanto está sentado na grande cadeira do ex-presidente do Comitê Olímpico do Afeganistão, que fugiu do país, assim como os outros membros do governo anterior.
Os afegãos — garante ele — não têm nada com o que se preocupar, já que poderão continuar praticando seus esportes favoritos: futebol, críquete e as artes marciais. E muitos outros, porque “mais de 400 esportes estão permitidos pelas leis do Islã”.
Os talibãs têm apenas uma exigência: que todos os esportes “sejam praticados de acordo com a lei islâmica”. Isso representa poucos problemas para os homens, explica: para cumprir com a sharia, precisam apenas cobrir os joelhos. Isso vale para todos os esportes”, incluindo o futebol, explicou.

Fonte: G1

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