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domingo, 5 de dezembro, 2021
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O que é Thanksgiving, o Dia de Ação de Graças, feriado mais popular dos EUA

Celebrada na quarta quinta-feira de novembro, data é tão importante quanto Natal para americanos e reuniões de famílias provocam grande movimento no tráfego aéreo e nas estradas do país. Origem mais aceita historicamente fala sobre confraternização entre peregrinos ingleses e indígenas para comemorar colheita bem-sucedida após trabalho conjunto. Atrizes desempenhando os papéis de Susanna Winslow e Priscilla Alden preparam comida antes do feriado de Ação de Graças em réplica de vila inglesa do século 17 nos Museus Plimoth Patuxet em Plymouth, Massachusetts, EUA, na quarta-feira (24)
Reuters / Brian Snyder
Embora também seja celebrado em outros países, o Thanksgiving, ou Dia de Ação de Graças, é o feriado mais tradicional dos Estados Unidos, e sua importância é comparada ao Natal. Pelo costume das famílias em se reunirem para um grande almoço, é ainda uma das datas que mais movimenta o tráfego aéreo e as estradas do país.
Celebrado na quarta quinta-feira de novembro, ele deu origem também a um fenômeno comercial na sexta-feira subsequente: a Black Friday, dia em que lojas de todos os setores promovem descontos para aproveitar o feriado prolongado.
Mas o que exatamente se comemora no Dia de Ação de Graças, quando os norte-americanos costumam agradecer as “graças” que obtiveram ao longo do ano que está quase chegando ao fim?
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A origem da celebração não é totalmente conhecida, mas a versão mais aceita historicamente diz respeito a um banquete realizado em 1621 em Plymouth, que reuniu peregrinos ingleses e indígenas Wampanoag, que celebraram juntos uma excelente colheita, fruto do trabalho conjunto.
Segundo registros, os ingleses haviam chegado em 1620 em Massachusetts, após uma terrível viagem de 66 dias a bordo do navio Mayflower. Em seu primeiro inverno ali, eles sofreram “presos” no próprio navio com um frio brutal e doenças que exterminaram metade dos 102 viajantes.
Quando finalmente desembarcaram, malnutridos e doentes, foram recebidos por um índio que falava inglês, já que havia sido levado à Inglaterra como escravo, mas tinha conseguido fugir e voltar.
Esse índio, Squanto, da tribo Pawtuxet, conseguia se comunicar com os colonos e os teria ensinado a cultivar milho, pescar e evitar plantas venenosas da região. Também seria mérito dele uma aliança entre os ingleses e os Wampanoag, que resultou em um acordo de paz que durou mais de 50 anos.
Para comemorar o sucesso da primeira colheita bem-sucedida e agradecer a Deus, foi realizado um banquete de três dias, considerado o “primeiro Thankisgiving”, segundo um relato do peregrino Edward Winslow.
Ainda segundo relatos, uma segunda celebração ocorreu em 1623, para agradecer pelo final de uma longa seca que havia ameaçado a colheita daquele ano. A partir de então, banquetes religiosos anuais de agradecimento se tornaram tradição em outras colônias na região conhecida como Nova Inglaterra.
Feriado
Embora já fosse celebrado há mais de dois séculos, o Thanksgiving só foi transformado em feriado nacional nos Estados Unidos por Abraham Lincoln, em 1863, durante a Guerra Civil, clamando a todos os americanos que pedissem a Deus que “recomende ao seu terno cuidado todos aqueles que se tornaram viúvas, órfãos, enlutados ou sofredores na lamentável contenda civil” e para “curar as feridas da nação”.
Protestos
Um artista histórico desempenhando o papel de Myles Standish é visto em réplica de vila inglesa do século 17, antes do feriado de Ação de Graças nos Museus Plimoth Patuxet em Plymouth, Massachusetts, EUA, na quarta-feira (24)
Reuters/Brian Snyder
Mas nem todos concordam com a forma como a origem do feriado é apresentada, e argumentam que a história suaviza as relações entre os peregrinos e os indígenas, deixando de lado os confrontos entre os dois grupos, especialmente os episódios de violência contra os nativo-americanos.
Além disso, há muitas controvérsias sobre se o banquete de Plymouth sequer teria sido o primeiro do tipo. Historiadores citam pelo menos dois casos que poderiam ser consideradas celebrações prévias de Thanksgiving no que viria a se tornar os EUA.
O primeiro, em 1565, aconteceu quando o explorador espanhol Pedro Menéndez de Avilé convidou membros da tribo Timucua para compartilhar uma refeição em St. Augustine, Flórida, após a realização de uma missa para agradecer sua chegada em segurança.
O segundo, em 1619, envolveu outros peregrinos britânicos, que chegaram a um local onde hoje fica o estado da Virginia, e leram uma proclamação designando a data – 4 de dezembro – “um dia de ‘thanksgiving’ ao Todo Poderoso Deus”.
Peru
Outro ponto não exatamente claro é a razão pela qual o peru assado se tornou o prato principal no almoço do Dia de Ação de Graças.
Nos escritos de Edward Winslow, ele menciona que havia “ave selvagem” no cardápio em Plymouth, sem especificar qual. Sabe-se, porém, que havia perus na região, o que levou muitos a suspeitarem que ele poderia se referir a esse animal. O mais provável, porém, segundo historiadores, é que peregrinos e indígenas tenham comido gansos ou patos.
A tradição, na verdade, pode ter um fundo mais prático: perus sempre foram uma ave abundante na América do Norte, inclusive em fazendas, onde as pessoas preferiam sacrificar essas aves do que as vacas que forneciam leite ou as galinhas, reservadas para a produção de ovos.
Além disso, por ser grande, um peru proporciona uma refeição capaz de alimentar uma família inteira, ideal para os grandes almoços tradicionais do Dia de Ação de Graças.
Perus Peanut Butter e Jelly, perdoados na Casa Branca na sexta (19) antes do Dia de Ação de Graças
Susan Walsh/AP Photo
O consumo de peru deu origem ainda a uma bem-humorada tradição na Casa Branca: todos os anos, o presidente “perdoa” um peru, que tem sua vida poupada e não vira almoço. Nos últimos anos, porém, os presidentes têm decidido poupar também o perdedor, e ambos são enviados para viver em algum lugar tranquilo após a solenidade do perdão.
Este ano, Joe Biden usou seu poder pela primeira vez para livrar dois perus do forno: Peanut Butter e Jelly.
Outros países
Por ser na realidade uma ocasião de agradecer a Deus pela colheita produtiva (ou outras graças alcançadas, em tempos modernos) através de um banquete ou de sacrifícios, o Dia de Ação de Graças também é celebrado em outros países, mesmo que de formas ou em datas diferentes.
A data também é comemorada, por exemplo, no Canadá, na segunda semana de outubro, em Granada, no dia 25 de outubro, e na Libéria, na primeira quinta-feira de novembro.
No Brasil, o presidente Eurico Gaspar Dutra instituiu, em 1949, a lei 781, o Dia Nacional de Ação de Graças, por sugestão de Joaquim Nabuco, que havia assistido à celebração em Washington, onde era embaixador, em 1909. A comemoração, no entanto, é mais restrita a famílias de origem norte-americana e algumas igrejas protestantes.

Fonte: G1

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